Vamos explorar um pouco as nossas condições ritualizadas, a consciência de nossas escolhas, das novas perspectivas e das curiosidades.

Como você se percebe no dia a dia? Você ritualiza suas experiências? Você vai sempre aos mesmos lugares? Senta-se sempre nos mesmos assentos? Dirige pelo mesmo caminho diariamente? Você se percebe preso a padrões repetitivos em seu comportamento, em suas atuações em atividades? Você trabalha para manter estes ritos, mesmo que seja inconscientemente? Há apegos presentes em suas escolhas? Você vai sempre para o mais difícil ou para o mais fácil primeiro? Você prefere sempre o que lhe é familiar?

Como você percebe a possibilidade em lidar com o novo? Com o diferente? Com as novas oportunidades? Você sente medo diante do desconhecido? Você percebe, conscientemente, as sensações no seu corpo, o desconforto, talvez, sempre que o novo aparece? O novo é percebido como uma ameaça para você? É mais fácil seguir os mesmos padrões já conhecidos, mesmo que estes gerem sofrimentos e aprisionamentos?
Na vida cotidiana, você explora suas emoções e pensamentos diante de seus padrões automáticos de reatividade? Você percebe quando está sendo agressivo ou passivo?

Um padrão não é melhor que o outro, porém precisamos tomar consciência de como nosso sistema e nossa mente funcionam, reagem, momento a momento. Explorar novas possibilidades pode ser desafiador e “caminhar por outra rua” quando estamos bitolados, pode parecer um esforço grande demais para nossa condição automatizada. Onde você está na sua vida neste momento? Para onde você vai? Como é não saber esta resposta? Como seria viver o que chega a cada momento com abertura e desprendimento?

Todos buscamos segurança desde muito cedo na vida e estes rituais que montamos parecem ser seguros e estáveis, porém, muitas vezes, pelo medo, somos cerceados de evoluirmos, de crescermos, de avançarmos. Viver uma vida mais livre, mais solta, mais alegre até, pode nos encaminhar, naturalmente, para novas experiências. Este trabalho que fazemos internamente, propõe esta mudança de perspectiva. Olhar sob uma nova ótica. Encarar o medo e ousar o convívio com o novo e o diferente!

A curiosidade pode ser uma aliada nesta nova roupagem. Usar e explorar a mente de principiante parece salutar e bem vinda nesta nova abordagem da vida. O novo chega a todo momento como proposta para mudanças, visto que a impermanência é uma lei natural da vida!
O apego, responsável pela manutenção “do mesmo” ritualizado, aparece como ator principal nesta montagem rotineira em que vivemos. Pelo apego sofremos e mantemos o medo de não avançar, de não fazer escolhas mais sábias e, talvez, preponderantes em nossa história de vida.

Fica aqui o convite para que você possa observar esta via de continuidade de padrões repetitivos em seu dia a dia e para que você se desafie a cada momento para os enfrentamentos da rotina cega que lhe cerceia.
Observe, com plena atenção, os seus movimentos em direção ao inusitado, ao novo, aos convites que surgem a cada instante para que você também encontre um novo “você” a partir destas reflexões.

Neiva Fernandes