Sério? Como posso acreditar no conteúdo desta frase se me encontro em dor e sofrimento? Se minha vida encontra-se um caos? Se estou tomado pela culpa, pelo remorso, pela vitimização? Se estou dominado pela raiva e pela reatividade? Se estou sucumbindo no medo e na paralisia? Se há tantos processos difíceis acontecendo juntos? Não, não está tudo bem do jeito que está, não!!!

Porém, sim, está tudo bem do jeito que está, sim! Pois você tem feito o melhor que você pode com as ferramentas e com o repertório de posicionamentos e atitudes que você possui em cada momento presente. Temos o costume, o hábito de tomarmos posse de um chicote pesado e nos automutilarmos em nossas lamúrias e culpas em relação ao que já aconteceu, ao que acontece e ao que ainda irá acontecer. Tornamos nossa vida em um martírio culposo quando nos deparamos com nossos comportamentos do passado, principalmente. Muito do nosso sofrimento do presente advém desses atos já cometidos e ficamos ruminando e remoendo nossas “des-graças”.

Quando vamos parar para reconhecer o que já foi feito como o melhor que pudemos fazer por nós mesmos e pelos outros em cada momento? Quando vamos atuar com compaixão e com empatia para nos conscientizarmos de que não podemos mais mudar o que já fizemos? Quando vamos perceber que precisamos aceitar tudo o que cometemos para trazermos a intenção de mudarmos o que for possível mudar no presente e no futuro, partindo da aprendizagem diante de nossos erros e equívocos?

Tomar consciência, reconhecer que fizemos e fazemos sempre o que temos condição de fazer, com as ferramentas que temos é fundamental para sairmos de nossas culpas, para enfrentarmos nossas dificuldades.

E partimos para as mudanças necessárias. Sim, o caos existe, ele é real, mas podemos atuar diferentemente e conscientemente quando estamos alertas, no movimento da mudança, por vezes silenciosa.

Está tudo bem do jeito que está porque temos feito o que está ao nosso alcance, mesmo que pareça imperfeito, sofrido, caótico. Com este olhar mais amoroso, mais compassivo, vamos aprendendo a cuidar melhor de nós mesmos internamente, e olharmos para nossa realidade com mais atenção e disposição para movimentarmos as mudanças necessárias. Precisamos de um primeiro passo para nos entendermos e nos localizarmos em nossos sofrimentos. A aceitação dos ocorridos é peça chave para a evolução no autoconhecimento. Este tema é tão importante que tornar-se-á livro em um futuro próximo.

Sim, está tudo bem do jeito que está, então respire e relaxe, jogue seu chicote fora e aproveite cada experiência com presença e consciência. Já passou e vai passar, acredite.