A dor é um processo natural do existir humano. Dores emocionais, físicas, materiais, espirituais, chegam a todo momento, sem nos pedirem licença. Qualquer um de nós está exposto a esta chegada, sem distinção de nenhum aspecto. Às vezes, uma perda gera dor, um luto, uma traição, uma desilusão, um engano, uma expectativa frustrada, uma falta de algo ou de alguém, ou mesmo dores advindas de doenças, de sintomas tantos que nosso corpo absorve continuamente. Muitas vezes, nos perdemos na dor, desconectando-nos de nós mesmos e ficamos entregues ao sofrimento.
Importante salientar que o sofrimento advém da nossa inabilidade em lidarmos com as dores que chegam a cada momento em
nossas vidas. Assim, a dor é natural, mas o sofrimento torna-se uma opção, por vezes, inconsciente, que fazemos diante destas dores. Digo opção, pois se formos mais hábeis e se estivermos conscientes do que nos gera dor, teremos condições de decidir entre resolver o problema da dor ou nos enterrarmos em nossos processos, na condição de vitimização ou de nos acharmos “coitadinhos”, visto que estes são alguns dos ganhos inconscientes do não enfrentamento da dor. Muitos de nós assumimos nossos papéis de vítimas, identificando-nos com eles e ampliando ainda mais nossos sofrimentos!
A prática meditativa ajuda-nos a despertarmos para a possibilidade de gerenciarmos, nós mesmos, nossas próprias dores. Manejando a atenção, podemos estar mais conscientes, mais presentes com
estes processos para entendermos suas causas. Podemos, também, aprender a desenvolver a resiliência, a paciência e a aceitação diante de determinadas dores.
Torna-se imprescindível, também, o gerenciamento do foco da nossa atenção. Podemos estar com dor em algum lugar do corpo, por exemplo, e, ao invés de ficarmos apegados, fixados, a esta dor, podemos colocar o foco da nossa atenção em uma outra parte do corpo em que não haja dor, ou levarmos a atenção para a própria respiração. Esta decisão consciente, relaxa o sistema como um
todo e quando percebemos, há, por vezes, um grande alívio da dor, pois não estamos mais tão concentrados nela. Simples assim!
A plena atenção ajuda-nos a ver a dor por uma outra perspectiva e nos traz condições de lidarmos com a mesma de um outro lugar mais consciente, paciente e resiliente.
Também acontece de não termos condições de exterminarmos as dores, mas teremos ampliado o nosso repertório de posssibilidades para lidarmos com mais compaixão e amorosidade com as mesmas!